Nossa história


    No início do século XX, judeus europeus orientais, fascinados por ideias revolucionárias resolvem se unir em busca de um único objetivo, a exemplo do que acontecia em sua região e criam um movimento juvenil chamado “Dror” (que significa andorinha em hebraico, uma metáfora para liberdade). Alguns anos mais tarde, jovens britânicos judeus resolvem criar um movimento sionista e escáutico e fundam o movimento “HaBonim” (os construtores).

    Além de sionistas e de inclinação socialista, outro fator era coincidente entre os dois: a educação kibutziana. Mais do que criar uma consciência crítica em relação ao mundo em que vivemos, estes dois movimentos educavam para um meio de vida concreto, uma experiência pioneira no mundo naquele momento: o kibutz. O “Ichud” Habonim, predominava no mundo ocidental, enquanto o Dror atuava com grande número de membros na Europa Oriental. O Habonim era ligado ao movimento Takam, enquanto o Dror, ao movimento Kibutz Hameuchad. Após a fundação do Estado de Israel, ambos apoiavam o partido dos Operários chamado Mapai, de esquerda moderada que esteve no poder desde a criação do estado até 1968, quando se transformou no Partido Trabalhista, o Avodá.

Formação do Habonim Dror na história dos movimentos juvenis.


Turma Machon l'Madrichim 1948 em Israel.
Kibutz Hachshará Ein Dorot, fazenda do Dror, nas proximidades de Jundiaí, 1950.
Turma Machon l'Madrichim 1951 com David Ben Gurion em Israel.

    O Dror no Brasil surgiu em 1945. O primeiro snif (sede) foi fundado em Porto Alegre, sob a influência do movimento da Argentina que, por sua vez, formou-se de jovens praticantes do Dror na Polônia que emigraram para a Argentina. Rapidamente, o Dror se espalhou pelo Brasil, criando outros três snifim: Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro. Alguns anos mais tarde foram inauguradas outras três sedes: Recife, Salvador e Belo Horizonte e em 2009, Manaus.

    No começo, o trabalho realizado pelos chaverim do Dror nos seus snifim desempenhou um papel fundamental na educação e preparação de jovens judeus que se realizaram através de uma Aliá Chalutziana, Kibutziana, contribuindo assim, para a construção, fortalecimento, criação e desenvolvimento do Estado de Israel.

Shnat 1973 em Israel.
Shnat 1975 em Israel.
Shnat 1981 em Israel.

    Atualmente, o movimento realiza suas atividades em todos os cinco continentes, nos seguintes países: Israel, Brasil, África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Bélgica, Canadá EUA, França, Holanda, Inglaterra, Nova Zelândia, México, Uruguai e Zimbábue.

    Hoje, o Habonim Dror é um movimento juvenil judaico grande e forte. Este funciona em dez Snifim: Recife, Salvador, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo, Campinas, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre e Manaus que reúnem, em média, 450 chaverim todos os sábados. Em todas as sedes, o Habonim Dror educa jovens judeus através da educação não-formal, num ambiente judaico de coletividade, companheirismo, igualdade e respeito mútuo, transmitindo as tradições, a cultura, os valores e a história do nosso povo. Realiza atividades semanais voltadas para crianças e jovens de 6 a 14 anos e para esta faixa etária, existem duas machanot (acampamentos) locais que são preparadas pelo snif e realizadas no próprio estado, além de diversos projetos e eventos para a comunidade judaica de cada cidade.

Shnat 87 durante atividade na Gadná.
Machané no Sítio Hachshará em Ibiúna, 1992.
Shnat 2015 em Israel.

    A nível Artzi (nacional), o trabalho é focado para a obtenção de uma homogeneidade dos snifim. Para tanto, possuímos o Projeto Hagshem, um conjunto de tochniot específicas para cada shichvá da Tnuá que compõem nosso processo chinuchi (educacional) e são utilizadas em todo o Brasil. Também com o objetivo desta unidade nacional, estamos todos sob o mesmo regimento interno contido em nosso Estatuto e baseamos nossas práticas educacionais em nossa Torá Educativa, documento onde estas são embasadas teoricamente a partir de pensadores como Piaget, Janusz Korczak, Paulo Freire, entre outros. Em geral, também buscamos a ajuda mútua e troca de experiência entre snifim, além de promovermos projetos unificados nacionais, como por exemplo, o Intercâmbio de Madrichim, em que ocorre uma troca de madrichim dos snifim nas machanot locais. Temos nossos Marcos Artzi, realizamos todos os anos duas Machanot (choref e kaitz), Haboníadas (evento cultural-esportivo criado em homenagem a uma chaverá do snif Curitiba que faleceu no Shnat) e uma Peguishat Hanagot (reunião das hanagot dos snifim com a Hanagá Artzi).

    Desde 1945, o Habonim Dror segue fazendo seu trabalho no Brasil de forma muito responsável, através do trabalho voluntário de seus participantes, sem fins lucrativos, apenas buscando cumprir com seus objetivos e sua ideologia. Como uma de suas prioridades, vê a transmissão da educação judaica e sionista nas diversas comunidades da diáspora, tendo como base as tradições, cultura e história de nosso povo, propiciando assim a formação de jovens críticos e conscientes de seu papel como agente de transformação social.


Tilboshet

O nosso tilboshet é o azul com o cordão vermelho. O tilboshet é o uniforme do kibutz, a roupa do dia-a-dia, a nossa identificação. O cordão vermelho tem a identificação com o Movimento Trabalhista de Israel e com a Internacional Socialista, de qual faz parte a Tnuat Avodá, e nós, por consequência.

Ale Veagshem – Alo Naale

O “Alê VeHagshem - Alo Na'Ale”, e mais especificamente o Alo Naale está escrito no Tanach. Estas palavras foram as palavras do Kabled, o espião, a Moshe e ao povo ao voltar de Canaan.
A tradução delas é:
– Ale Veagshem – suba e se realize
– Alo Naale – suba você, subamos nós
Elas remetem à ideologia da Tnuá, onde a realização máxima se encontra e em fazer Aliá, ou seja, subir para Israel.

Techezakna - Hino do Habonim Dror

Techezakna!
“Techezakna idei kol acheinu am chonenim,
Afrot artzeinu baasher hem sham.
Al ipol ruchachem, alizim, mitronenim,
Bou shehem echad, leezrat ham”


Fortaleçam-se!
“Fortaleçam-se as mãos dos nossos irmãos,
que valorizam o solo de nossa Terra, onde quer que estejam.
Que não decaia sua coragem, seu espírito, seu ânimo,
Animados, cantando, venham unidos, em ajuda ao povo”

    No ano de 1905, Bialik juntamente com seu eterno amigo e colaborador Y.Ch. Ravnitzki, fundaram em Odessa a editora “Moria” e publicaram uma série de obras importantes, sendo a mais importante: o “Livro das Lendas – as mais significativas lendas do Talmud e do Midrash, e que alcançou dezenas de edições . Os anos do período de Odessa até antes da guerra se caracterizaram pelo frutífero trabalho criador de Bialik, as mais maduras obras de sua poesia, seus contos em prosa, ensaios e principalmente seu trabalho sobre poetas medievais.

    Durante os anos da guerra, desde 1914 até após a Revolução Russa, ele se encontra em Odisse e depois em Moscou, onde ele acha tempo para escrever, redigir colêtaneas hebraicas e também participar calorosamente de todas as questões sociais judaicas.

    Em 1921 conseguiu Bialik, após grandes dificuldades, com auxílio de seu grande amigo, o escritor russo Gorki, deixar Moscou e mudar-se para Berlim: em fins de 1924 ele imigrou para Israel (sob mandato britânico).

    Kibutzim foram fundados e verdejantes colônias judaicas começaram a florescer. O coração do poeta se encheu de coragem, fé e esperança, sua canção encorajadora, escrita ainda em 1894 se tornou o hino dos pioneiros e dos trabalhadores judeus pelo mundo inteiro.

    Nessa poesia, não se ouvem mais suspiros do judeu do exílio, não mais aquelas vozes que despertam pesar e dó e sim uma musica com forças renovadas, com sadios músculos de trabalho, eis que o visionário exprime em “techezakna”.